O Pato Encantado

27 de janeiro de 2014

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Era uma vez três rapazes muito fortes, trabalhadores e alegres. Os três eram lenhadores e filhos de um lenhador.
Todos os dias, ao amanhecer, os três irmãos saíam juntos de casa, mas, depois tomavam direções diferentes.
Os dois maiores logo escolhiam as melhores árvores. Depois, cortavam até os arbustos e, em pouco tempo, quase não ficava árvore boa de se cortar, em toda a floresta. Mas o menor, Carlos, sentia pena de fazer o mesmo.
Certo dia, quando o irmão mais velho, Eduardo, estava comendo, apareceu-lhe um anãozinho sorridente e brincalhão.
– Olá, lenhador! – disse ele. – Eu ainda não comi.
Eduardo não percebeu o pedido do anãozinho e continuou mastigando. E, como não gostava de falar com gente estranha, só respondeu “Hum!” ao cumprimento do anãozinho.
Ao ver que não era convidado, o anãozinho foi-se embora. Mal começou a andar, porém, tropeçou num tronco de árvore e começou a gemer:
– Ai! Meu dedo do pé está doendo!
Eduardo fingiu não ouvir.
– Que anãozinho aborrecido! – pensou.
– Lenhador, lenhador! – disse o anão. – Se você me tirar a dor do pé, dou-lhe um pato de ouro.
– Saia daqui, já! Não preciso de seu pato de ouro!
O anãozinho se pôs a caminhar, até que encontrou outro lenhador. Era Inácio, o segundo dos três irmãos.
– Olá! – disse o anãozinho. – Quer trocar o seu machado por um pato de ouro?
– Ora, sai daqui e me deixe trabalhar!
– Sou um enviado da Fada dos Bosques. Ela quer salvar as árvores, pois os lenhadores as maltratam.
– Ora, fadas não existem! Saia daqui e me deixe trabalhar!
Enquanto isso, não muito longe dali, Carlos, o menor dos lenhadores, pensava, tristemente:
– Todos não gostam de mim porque não consigo cortar árvores. Mas, como posso cortá-las, se os passarinhos fazem ninhos em seus galhos?

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Foi quando apareceu o anãozinho:
– Olá, lenhador! – disse ele. – Vejo que está preocupado. Não querer me dar um pouco de comida? Estou com fome…

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– Claro que sim, meu amigo! – disse Carlos, entregando-lhe todo o almoço.
– Como você foi gentil, vou dar-lhe este pato de ouro!
– Mas não posso aceitá-lo! É valioso!
– Ora, que nada! O pato é seu! Ele vai lhe trazer a felicidade que você merece.
Envergonhado por estar recebendo sem nada oferecer em troca, o menor dos irmãos deu o machado de presente ao anãozinho.
Ao entrar na cidade com o pato de ouro nas mãos, uma mulher tocou no pato e ficou presa a ele.
– Ai! Não posso soltar-me do pato! Fiquei presa! – gritou.
– Quem mandou tocar nele? – perguntou Carlos, rindo.

A mulher gritava muito alto e todas as moças da cidade saíram de suas casas para ver o que acontecia. E, como eram tão curiosas quanto a primeira, quiseram tocar no pato. E, mal tocavam, umas ficavam presas às outras. Por mais que puxassem, por mais que fizessem força, não conseguiam soltar-se.
– Como vocês todas são curiosas! – dizia Carlos, rindo.
– Socorro! Socorro! – gritavam elas.
Todas, umas presas às outras, formavam uma estranha procissão, como se fossem contas de colar…
Aconteceu que a Princesa daquele lugar tinha uma doença muito estranha: havia alguns anos ela não conseguia sorrir. Seu pai, o Rei, já tinha prometido casá-la com o homem que lhe arrancasse um sorriso de seu rosto triste.
Ao ouvir aqueles gritos na rua, a Princesa apareceu na janela do palácio.
Exatamente nesse instante, Carlos dizia:
– Vejam, senhores! Vejam todas as curiosas desta cidade!
A Princesa, a princípio muito séria, não pôde mais e começou a rir. Riu como nunca tinha rido.
Bem, o que importa é ter ficado boa da doença.
O Rei cumpriu sua promessa, pois, além disso, a Princesa se apaixonou por aquele lenhador.
Depois do casamento, montando um lindo cavalo branco, o casal foi à casa do lenhador. Carlos segurava o pato de ouro.
Ah, o anãozinho ia em outro cavalo.
A família de Carlos ficou muito contente e todos dançaram.
– Meus irmãos, – disse Carlos – por favor, peçam perdão ao anãozinho.
Eduardo e Inácio fizeram o que o irmão lhes pedira e ainda lhe disseram:
– Anãozinho, nós lhe prometemos só cortar lenha em caso de muita necessidade.